45 anos depois – Como seria a revolução de 2019?

Quarenta e cinco anos separam o dia de hoje, do dia em que se ouviu na Rádio Alfabeta a música “E depois do adeus” de Paulo de Carvalho, o primeiro sinal para o grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de Carvalho começarem com os primeiros movimentos do Golpe de Estado que se viria a chamar a “Revolução dos Cravos”. O segundo sinal foi dado às 00h20m de 25 de Abril, quando a canção “Grândola Vila Morena” de Zeca Afonso foi transmitida na Rádio Renascença. Estava confirmado o golpe e deu-se o início às operações.

O acesso a informação era extremamente restrito, o regime controlava e limitava todo o tipo de informação que pudesse colocar em risco a ditadura Salazarista. A PIDE tinha implementado um sistema de censura que determinava a que livros, música e informação noticiosa a população poderia aceder (mais implacável que qualquer anti-virús). A internet ainda estava longe de existir em Portugal e muito menos de ser acessível ao cidadão comum.


O exercício que propomos agora é: Como teria sido a revolução em 2019?!


Um grupo no whatsapp chamado “#CravosParaTodos” ? Ou talvez tivesse nascido de um evento no Facebook ou de um grupo privado no Twitter, à semelhança do que aconteceu na Tunísia no movimento conhecido como Primavera Árabe.

Mesmo com esforços do governo por bloquear e restringir o acesso à internet, o Twitter e o Facebook foram essenciais na difusão e ascenção das manifestações populares. E se o acesso à internet estivesse efetivamente condicionado, os militares poderiam aceder a redes fora do controlo dos governos, como é o caso da “TOR” – The Onion Router – software livre e de código aberto que proporciona a comunicação anónima e irrastreável.


As possibilidades são tantas que se torna difícil imaginar como poderia ter sido a queda do regime ditatorial português se existisse internet na época. 


A verdade é que é graças ao sonho dos que participaram no golpe de estado de 25 de abril de 1974,  hoje podemos publicar este texto sem temer pela nossa liberdade e bem-estar.


Talvez o cravo não fosse hoje o símbolo da Revolução, mas sim o like ou um hashtag.


#VivaLiberdade

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